A arte de fazer merda deve vir encruada no meu sangue. Cavar o próprio buraco, trilhar o caminho da própria morte... Sentir que suas forças estão se esvaindo vagarosamente, sabendo que foi você mesmo que deitou sobre a lava quente. Sinto minha pele derreter a cada instante, meus músculos virando sopa banhando meus ossos já cremosos pelo ardor da brasa fervente do buraco que eu mesmo cultivei.
Palavras, ações, gestos, nada mais importa nem adianta pra salvar essa alma já condenada a solidão na escuridão dentro de si mesmo.
Em um caminho de pedras boleadas e frescas caminhei por todo esse tempo, mas em vez de tirar do meu caminho cada espinho, com minha cabeça erguida chutei todos a frente com a cabeça erguida tão feliz que me achava imune ao mundo e agora volto a pisar em todos eles, sangrando e fazendo mal a mim mesmo.
Chega de devaneios.
Fui avisado por pessoas que gostavam de mim que eu tinha um problema e deveria tratá-lo, mas ignorei todos os conselhos amigos, e hoje estou jogando 28 anos de luta em um poço sem fundo, apenas pelo orgulho de não assumir "tenho um problema" não sei se existe tratamento para o que eu tenho, nem sei como pensar em resolver isso. Acho q é tarde demais pra pensar em uma solução...
Porque essa compulsividade? Porque esse ardor? Não é de hoje que isso assola minha vida, mas é o que acontece quando você ignora todos os avisos de algo assim. Criei meu próprio monstro, alimentei com o que ele queria achando que podia controlá-lo e hoje sua coleira se solta e me devora sem o mínimo de cerimônia. Estou MORTO.
Só me resta agora viver os praxes da sociedade lembrando cada dia do seguinte... Ser feliz para quê?
É apenas isso que temos para hoje. Todo dia.
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