Ao receber a encomenda, a senhora de madeixas alvas como neve o orientou.
Cuide muito bem! Ele pode se desfazer. Atento a orientação ele seguiu seu dever.
O rapaz olhava curioso àquilo que carregava, era grande mas leve, lindo e amorfo. Recordando o trajeto definido, foi tomando seu rumo, cada vez que olhava um brilho parecia exalar, balançava para os lados mas não saía de sua mão. Em uma das ruas que teria de passar havia uma feira, dessas que vendem de tudo, seus olhos fitaram toda a rua e como um radar planejou onde deveria passar para não avariar sua encomenda. O rapaz não entendia os olhos curiosos voltados a ele, para todos ele era um louco de mãos ao vento...
Insistindo em passar como lhe foi pedido, nem a multidão o desanimou porém ele percebia que por onde passava sua encomenda manchava o que encostava. Preocupado com a integridade ele tratou de envolve, ignorando a indicação de levar ao ar livre, e nada mais encostaria... Depois de mais da metade do trajeto sem se preocupar, resolveu verificar a encomenda tirando ela de seu envólucro improvisado. Não era mais aquilo que vira antes, era pequeno, fraco e sem cor. Entrando em desespero, sentou-se em um banco de praça insólito e pensativo tentando lembrar onde errou. Quando estava prestes a desistir, uma pequena menina perguntou - Tio! Porque seu bichinho tá preso? - nada respondeu o homem.
Solta ele pra brincar! - Gritou a menina enquanto saía correndo.
Ele o tomou nas mãos e voltou a andar observando que seu brilho voltava vagarosamente. Olhando como hipnotizado, o rapaz andava no rumo certo mas sem se importar onde pisava, até que trombou de frente com uma mulher que carregava uma pilha de papéis. No susto o rapaz volta a si, cata todos os papéis, os coloca em ordem tomando mais de uma hora de seu tempo e devolve para a mulher. Ela agradece e repara no semblante desapontado do rapaz.
O que foi? - pergunta a mulher.
Ele não responde e se vira para ir embora. Ela o chama, e tomando suas mãos nas dela e o devolve sua encomenda, linda, brilhante e viva exatamente como recebera da senhora. Então ele feliz e pensativo segue seu rumo até o local acordado. E a mesma senhora está lá pra recebê-lo...
Espantado por vê-la, ela explica...
Sou a vida e te dei o amor próprio... Ele marca, e se multiplica, vc o escondeu e ele perdeu as forças, daí mandei minha neta esperança pra te mostrar que o que é livre, vive com gosto. E quando estavas mais cedo do mundo enviei à dedicação, e dedicando-se a ser vc mesmo ela te trouxe de volta o amor por si.
E agora? - pergunta o rapaz curioso - tenho que entregar o amor próprio a você?
Calmamente indo embora ela responde.
Ele é seu, eu disse que vc teria que trazer até aqui e não me entregar...
--Texto extraído de uma mente totalmente exaurida de controle.--
Fellipe Santiago