"Um jovem rapaz nascido em uma pequena vila, vivia correndo e brincando feliz entre os aldeões, sua voz era ouvida por todos os cantos deste vilarejo exalando uma alegria contagiante. Mas num infortúnio, seus pais foram acometidos por uma grave doença e vieram a falecer. Após muitas dores o jovem fez seu voto de silêncio onde todos duvidavam de sua decisão. Sem ao menos balbuciar um som som de suas cordas vocais até em momentos de dores imensuráveis, o jovem cresceu, estudou e se tornou o mais sábio dentre todos em sua vila. Sua comunicação baseava-se em gestos e olhares. Rumores de que nem dentes mais ele possuía, rondavam entre as pessoas, pois desde sua perda foste junto seu sorriso. Este que um dia fora uma criança feliz não teve filhos pois em seu pensamento não queria transmitir a dor que lhe acompanhou a vida. Mas contudo cativou jovens pupilos que absorviam sua sabedoria silenciosa. Assim na escuridão de som foi sua vida. Aprendeu, ensinou, envelheceu... E como já conhecesse seu destino seus olhos serenos ordenaram uma convocação geral na vila. Foi montado por seus aprendizes na praça principal uma pequena cama feita de madeira velha e palha. Com seus passos lentos e firmes, ele andou para a praça, se acomodou sentado no leito rústico. E ao ver todos em torno da praça uma pequena criança lhe chamou atenção correndo ativa para todos os lados. Ao avistar o velho senhor ela corre em sua direção, envolve seu corpo debilitado com um caloroso abraço sorridente e volta correndo para a multidão. O silêncio toma conta do local. Uma lágrima escorre de cada olho, as primeiras desde que seus pais se foram. Deslizando em sua face maltratada pelo tempo, ao repousar nos lábios calados e cerrados por uma dor até então não superada, um sorriso alvo e brilhante exibe uma felicidade plena e sua voz já esquecida por todos diz: Por anos guardei minha dor e de nada adiantou e agora que finalmente vou encontrar com meus pais, recebo de uma criança o que não tive a oportunidade de fazer. Obrigado jovem!"